Como escrever um livro

9 10 2009

Este é meu primeiro livro. Portanto, experiência eu não tenho, mas vontade e determinação, não faltam!

Quando decidi escrever fiz uma pesquisa e montei minha própria metodologia. Se você tem vontade de escrever um livro, recomendo que faça o mesmo e veja qual se adapta melhor a seu estilo, mas passo aqui algumas dicas que vão adiantar seu trabalho.

A idéia estava guardada na gaveta há algum tempo, mas as peças que eu precisava para montar este quebra-cabeça só surgiram agora, então resolvi colocar o projeto em andamento.

Escrever um livro não deixa de ser um projeto, onde é preciso planejar cada detalhe e cuidar de todos os aspectos que dizem respeito a ele.

Havia muita dificuldade em começar a escrever, mas isto foi por terra quando resolvi que precisava de um planejamento. Fiz um organograma contendo inúmeros itens que fazem parte do projeto e incluem:

  • Personagens (Perfil, personalidade, funções, habilidades, história)

    Organograma Quase Ileso

    Organograma Quase Ileso

  • Enredo (Cenários, trama, pontos marcantes e decisivos)
  • Capítulos (O que acontece em cada fase da história)
  • Linguagem (Que linguagem será usada?)
  • Público (A quem o projeto se destina)
  • Estratégias de Marketing (Como a idéia se difunde?)
  • Linguagem Visual (Aparência, ilustrações, diagramação)
  • Marketing (Pontos de venda, promoção, blog)
  • Equipe (Envolvidos – revisão, marketing, produtora, gráfica, patrocinadores – e funções)

Feito este escopo inicial, fica mais fácil ter uma visão geral do projeto e o que resta é simplesmente deixar a preguiça de lado e escrever, revisar e finalizar cada parágrafo cuidadosamente.

Este conhecimento veio através do design, ciência que estudo há 10 anos e me deu preparação para pensar projetualmente em ações. Incrivelmente serve para qualquer objetivo a ser alcançado na vida. Você define os passos, cumpre as etapas, sem pular nenhuma e inevitavelmente terá resultados, talvez além dos esperados.

Gostou? Comente, contribua, dê sua opinião!

;)





Trilha Sonora

20 09 2009

Escrevi uma parte do segundo capítulo ouvindo esse somzinho que mixei um pouco antes! Enjoy!

Era um velho, mendigo, com os olhos esbranquiçados. Provavelmente tinha catarata e pedia trocados de um jeito no mínimo original. Fala com a voz rouca e para dentro, como que falando para o ar à sua frente:

Ei você, se não fô levá as mueda que tem no bolso pro seu caixão, “mi” dá aqui senhor faiz favor. Ninguém vai sair vivo dessa memu! É pra tomar pinga memu, não tenho porque mentir!” (…)”

; )





Capítulo I – O Encontro

19 09 2009

“Olhei bem no fundo de seus olhos e confrontei sua alma.
Mesmo assim não me viu.
Tropecei em sua distração, chamei pelo seu nome
e ele não me ouviu.
Peguei em seu braço, tateei seu ombro,
sussurrei mais alto que o mundo
mas ele não sentiu.

Ainda não estava pronto. (…)”

Esse é o primeiro parágrafo do livro que mostro aqui.
No primeiro capítulo dou uma visão geral a respeito da vida de Lucio, o protagonista.
É a preparação para o capítulo seguinte  que se chama “Momento Zero”

; )





Procura da Poesia

17 09 2009

Não faças versos sobre acontecimentos.

Não há criação nem morte perante a poesia.
Diante dela, a vida é um sol estático,
não aquece nem ilumina.

As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam.
Não faças poesia com o corpo,
esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à efusão lírica.

Tua gota de bile, tua careta de gozo ou de dor no escuro
são indiferentes.
Nem me reveles teus sentimentos,
que se prevalecem do equívoco e tentam a longa viagem.
O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.

Não cantes tua cidade, deixa-a em paz.
O canto não é o movimento das máquinas nem o segredo das casas.
Não é música ouvida de passagem, rumor do mar nas ruas junto à linha de espuma.

O canto não é a natureza
nem os homens em sociedade.
Para ele, chuva e noite, fadiga e esperança nada significam.
A poesia (não tires poesia das coisas)
elide sujeito e objeto.

Não dramatizes, não invoques,
não indagues. Não percas tempo em mentir.
Não te aborreças.
Teu iate de marfim, teu sapato de diamante,
vossas mazurcas e abusões, vossos esqueletos de família
desaparecem na curva do tempo, é algo imprestável.

Não recomponhas
tua sepultada e merencória infância.
Não osciles entre o espelho e a
memória em dissipação.
Que se dissipou, não era poesia.
Que se partiu, cristal não era.

Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.

Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência se obscuros. Calma, se te provocam.
Espera que cada um se realize e consume
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio.
Não forces o poema a desprender-se do limbo.
Não colhas no chão o poema que se perdeu.
Não adules o poema. Aceita-o!
como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada
no espaço.

Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?

Repara:
ermas de melodia e conceito
elas se refugiaram na noite, as palavras.
Ainda úmidas e impregnadas de sono,
rolam num rio difícil e se transformam em desprezo.

Carlos Drummond de Andrade








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